domingo, 6 de dezembro de 2015

ELDO POP, VISÕES, CAUSOS E O EFEITO SOBRE MIM..

Um pouco da história...

O diretor da então, Rádio Globo, adentra o estúdio e diz:
Olha, temos que colocar um rádio no ar e tem que tocar tudo o que não toca na Rádio Mundial..(Era uma rádio mais popular)
O DJ Peixinho, na época assistente do Big Boy, disse: Não tínhamos roteiro, não tínhamos os discos... e ai??...vamos tocar a discoteca do Newton, O BIG BOY, vamos tocar aqueles rock, progressivo...e foi feito...E foi um puta sucesso...

Entrava no ar a ELDO POP FM STEREO, EM 98.1 MHZ ZYZ 22.

Por conta do acervo do grande Big Boy, o ouvinte poderia ouvir  um disco inteiro...Só mesmo na Eldo Pop e pela genialidade do Newton Duarte, o BIG BOY, ele tocava de tudo de sete da manhã as duas da madrugada. Ele abreviou o lançamento dos discos e amenizou os efeitos da Ditadura que vivíamos.
Lembro-me muito bem, certa vez encontrei um doido na esquina e o papo foi mais ou menos esse:
Bicho, que rádio é essa?? é muito som vindo da Fm.
o outro respondeu: cara, não tenho nem dormido...ela sai do ar duas da manhã e vou até o final..ERA O ASSUNTO..

Foi uma loucura e poucos entendiam o que estava ocorrendo de fato e só mesmo a "malucada", que fazia parte de um grupo de gente doida com um rádio Fm debaixo do braço e sintonizada na Eldo-Pop e pirando de tanto som que ouvia entendia de fato o que estava acontecendo, criou-se um código de conduta entre os ouvintes e tudo  isso na década de 70.

Era muito "maluco" querendo saber o nome da banda (já que a rádio não tinha locução), a galera ficava doida atrás disso... E aí o interesse em entender o que estava acontecendo em plena ditadura cresceu.
Não existia internet, poucos canais abertos, uma dificuldade sem precedentes para ouvir o que curtíamos e a falta de grana para o acesso aos discos...Big Boy abreviou isso tudo... Era um monte de cabeludo vivendo um mundo paralelo em prol do som.
Com a ELDO POP, ela abreviou a chegada do som para nós e amenizou os efeitos da censura e da ditadura sobre as pessoas envolvidas com essa cultura e de fato era um movimento de Contracultura Radiofônica.

Parte 2: Os efeitos da Eldo Pop sobre mim.
Vocês imaginam um rádio que entrava no ar 7 da manhã e saia 2 das madrugada...tocando sem parar som de qualidade em plena década de 70.

Coisas do Big Boy .Isso de segunda a segunda...durante anos...anos... ainda fico arrepiado ouvindo esse som...o filme passa inteirinho dentro da minha mente..

Quando era moleque ouvia tanto som e lia o tempo todo sobre bandas e ficava tão quieto no quarto que a minha falecida mãe batia na porta pra saber se estava vivo.

 Os ouvintes da Eldo Pop era constituída de um grupo de pessoas afins pirada por som, eu era um deles e naquela época só se escutava a ELDO POP.
Chegou um ponto que decorava as sequencias lançadas pelo Big Boy...Já sabia que depois de uma certa banda, entrava a outra e a seguinte. A rádio não tinha locução(ele não dizia o nome da banda, da música), era som direto e tinha que ficar ligado...Era o charme da rádio.
E por conta de década e década de som...Hoje ainda acordo assim...05:45 batendo 500 volts de som...e vou para o trampo por volta de 800 volts de som direto no dispositivo móvel...e vivo assim, dia após dia...A noitinha chega e para relaxar, vou a 2000 mil volts com desenvoltura.


A noitinha chega e para relaxar....vou a 2000 mil volts fácilzinho...

 E certamente, existe uma diferença de quem viveu a ERA ELDO POP e de quem não viveu, é um fato, pelo menos no Rio de Janeiro.
E concluo com essa singela homenagem: O criador fez o mundo em 7 dias...no sexto ele fez o Big Boy Rides Again e no sétimo ele ajudou a criar a ELDO POP.



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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A PROBLEMÁTICA DA MÚSICA DE HOJE E PRINCIPALMENTE NO BRASIL

A problemática da música instrumental brasileira, é que ela já nasce morta...
Nada fica para o legado...Pouco se salva...Independente do alto nível de instrumentistas que temos aqui,
O problema que esse som não tem uma linguagem ou contexto histórico(Com raríssimas exceções), é na maioria das vezes aquela velha ideia sobretudo- Tema-improviso cheio de clichês-Tema.

Independente de qualquer coisa, não acredito nessa renovação do processo criativo da música brasileira. Principalmente da dita corrente instrumental, isso em nada faz desmerece a qualidade dos nossos músicos. É mais um problema de identidade sonora do que falta de talento, creio que hoje tem muito músico, muita música e pouco som.
E AINDA TEM ESSE LANCE AQUI...
A música vai muito além do gosto disso e não gosto daquilo...Fulano toca mais...beltrano toca menos...o jazz é tudo...rock é melhor...que nada MPB que é o grande lance...nada disso...prefiro progressivo...blues é mais simples...A música erudita é a mais pura...
TUDO ERRADO...A música vai muito além disso: Requer estudo, dedicação, imparcialidade sonora, inventividade e amadurecimento. ISSO LEVA TEMPO E BOTA TEMPO NISSO.
E UM PÚBLICO EDUCADO A OUVIR O QUE ELA TEM DE MELHOR...
TEM MUITO MÚSICO...E POUCA MÚSICA...

E finalizo com esse texto...
Mais importante do que conhecer o trabalho de um artista(no caso) o músico é ter capacidade de entender a sua proposta musical.
Não creio que muitos tenham desenvolvido esse tipo de percepção. Isso leva tempo...horas e horas ouvindo, pesquisando, discutindo e tal...tal...tal...
No meu tempo, ouvia-se sons de 20 ' ou mais...hoje soa tudo tão rápido que mesmo o cara não estando nos seus melhores dias O PESSOAL APLAUDE...é tudo ligado no automático...Os sons passam e quase nada foi captado...Somente o momento. As pessoas falam demais nos lugares, ostentam pelo valor pago no ingresso, ficam com aquela ar posudo, sorrindo sem parar...discute-se de tudo...menos o som em questão.

Nessa seara tem a turma que realmente sabe ouvir e entender a introdução do tema, desenvolvimento do improviso e a conclusão final.
É assim que procede-se em todas as esferas da arte pura.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

SOBRE METHENY, PAT, MÚSICO DAS SEIS CORDAS.


Pat Metheny, surgiu no mundo do jazz contemporâneo quebrando certos paradigmas, magro, cabelo comprido, com cara de paisagem e portando uma Gibson ES-175 sem efeitos distorcidos muito em voga naquela época e ainda caiu na graças do Manfred Eicher, o big boss da gravadora que um dia profetizou que gerava "O MELHOR SOM DEPOIS DO SILÊNCIO"
Seu disco de estréia o antológico "Bright Size Life", é considerado o melhor disco em trio já produzido por ele, muito por conta da participação esfuziante do Jaco Pastorius e segurando os dois o batera Bob Moses.
Sua excessiva produção com o PAT METHENY GROUP e as constantes mudanças em sua formação, causou desgaste e a música foi ficando repetitiva...enfadonha..,
Ao mesmo tempo tecia projetos paralelos com grandes instrumentistas como: Dave Holland, Roy Haynes, Herbie Hancock, montando trios com grande criatividade sonora. Seu trabalho à frente da THE UNITY BAND é bem palatável, com a presença elegante do sax pós-Michael Brecker, Chris Potter que dispensa qualquer comentário de tão bom que ele é.

É isso ai, bom dia!!

domingo, 8 de novembro de 2015

BONS TEMPOS...

Entre a metade dos anos 70, até sei lá...Assisti foi concerto...E posso contar nos dedos os que paguei...(RISOS), fazia de tudo para entrar de graça, chegava antes...ficava na porta esperando os músicos, virava roadie em cima hora, colaborava no que podia...tudo para entrar pelo backstage...Sempre foi o melhor lugar...e com muita informação do som para não dar "bandeira". E andava sozinho e me enturmava rapidamente pela forma da minha atitude, todo mundo sacava que estava lá por respeito aos músicos e pelo som apresentado.
E foi nessa onda que cheguei ao Hermeto no dia 20/06/84...E no dia 22/06/84 estava dentro da casa dele no seu aniversário...UAU!! E O RESTO É HISTÓRIA....


Se tem uma coisa que me mantém vivo...é som... Um rango saudável e cultura na cuca...o resto...

SOBRE O Gov't Mule...E os bons tempos...

Esse grupo é demais...revitalizaram o som dos anos 70 em plena década de 90, e ainda estão na estrada...
Tive sorte de ver em vida Allen Woody, baixista da formação original no extinto NESCAFÉ JAZZ&BLUES na Marina da Glória...
Ainda em trio e pela abertura, pelo timbre dos riffs...Disse para um amigo que estava comigo:
Cara, os anos 70 estão mais vivos do que nunca...Isso dito muito antes do advento do Youtube...E hoje...totalmente profético o que proferi.
E bem aventurado é o cara que nasceu no dia 10/12/1960, sagitariano(Fogo e ar), Pegou uma puta carona nessa atmosfera toda, correu atrás e o resto é história.
E Que curtiu a década transitória dos anos 80...Que viu a decadência da década de 90...A derrocada do século 21....Da entrada do ano 2000 e hoje não espero mais nada até o final da minha existência.
No mais...seguindo em frente sempre...sem pressa e nem pausa...apenas seguindo...seguindo...seguindo...

BOM DIA...
DEDICADO AOS QUE AINDA ACREDITAM NESSA ONDA TODA.


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

UM CAUSO SOBRE O DISCO TRANSA: CAETANO VELOSO

UM CAUSO SOBRE O DISCO TRANSA:
Aconteceu comigo, por coisa do destino mesmo.
Acredite se quiser, fui síndico do Condomínio Três Américas, ali na rua CÂNDIDO MENDES 53/71/89, entre 2004 e 2008. Vivia aquela vida matrimonial bacaninha e tal...tal..tal..
E peguei esse pepino em troca de uma grana por mês(bacanuda), e mais a isenção da taxa condominial e  fiz uma administração séria, pegando o caixa com 5 mil reais e deixando com 23 mil...Isso é um fato.
Onde entra o disco nessa saga???

Recebi uma reclamação de uma vizinha que o rapaz do segundo andar do prédio 71 vivia fumando maconha na janela, e lá fui cumprir o meu papel de síndico...e tal...tal...tal...

Toquei no apartamento e o cara abriu a porta....segue o diálogo:

-oi, boa noite, pode não parecer, Porém, sou o novo síndico do prédio e recebi uma reclamação que você fuma na janela empesteando todos os apartamentos;
- O rapaz: Pois é...entre vamos conversar...e logo percebi altos discos na estante do bicho...em dado momento, ele diz:
Você mexe com música, sim, respondi, o meu pai tocou com Caetano Veloso.
É mesmo?? que foi seu pai...e veio a palavra mágica MOACIR ALBUQUERQUE...nem acreditei...estava na frente do filho da lenda...Ele já havia falecido faz tempo e num tom bem melancólico e foi no quarto e trouxe um case...e disse: Foi do meu pai...
FIQUEI FRENTE A FRENTE DO FAMOSO FENDER JAZZ BASS que tanto abrilhantou a MPB nos anos 70.
Fiquei sem ação e disse a ele: Cara. faz o seguinte: quer fumar, faça dentro do apartamento, acenda um incenso, agora por favor, NÃO FUME NA JANELA e vamos esquecer essa bronca.

O garoto se comportou tão bem que as pessoas começaram a sentir falta dele fumando na janela, vai entender.
TENHO DITO, ATESTO E DOU FÉ.

domingo, 1 de novembro de 2015

FIM DOS TEMPOS???UMA SÍNTESE...


Agora cá entre nós...Os anos 80 foi realmente uma década transitória, e  tinha muito daquela atmosfera dos anos 70 no ar...Ainda acontecia uma estética cultural e criativa em toda a seara 
da forma de arte.

Os anos 90, era o início da derrocada cultural...Dez anos de retrocesso cultural e sonoro por todos os lados(ou quase todos)...Finalmente virou o século...Ano 2000 entrando com tudo e uma forte tendência ao declínio...Exatos quinze anos depois....O QUE TEMOS???
Que venham os ALIENÍGENAS do PLANETA PSYCH OUT e que eles estejam entre nós...