segunda-feira, 17 de outubro de 2016

CONSIDERAÇÕES ZAPPATESCAS...


O documentário "Eat That Question" é uma imersão na figura, do homem, do pai, do esposo e do músico e compositor Frank Zappa, impressionante seu discernimento, sua resposta rápida e ferina. Ele sabia tudo: Cinema, teatro, politica, senhor absoluto de uma cultura sem precedentes...

Um dia, ele ouviu Edgar Varese, Igor Stranvisnky e Anton Webern e disse a si mesmo: Vou fazer minha música soar assim..


Quem não compreender a música clássica contemporânea, fica mais complicado a entender e digerir o UNIVERSO ZAPPA.

Para perceber as cores desse universo é preciso desprendimento na percepção convencional, um ouvido tonal terá sempre dificuldade de entendê-lo. 
O elemento operístico está explicitamente dentro da sua estética por conta da não pausa entre uma composição e outra. Teatralidade à toda prova, ensaio à exaustão para dar vazão a improvisação.
Sai do cinema com a certeza que tudo que comentei sobre ele é fruto de uma pesquisa séria sobre esse homem, um homem chamado FRANK ZAPPA. Aprendi muito vendo esse documentário...NEM PISQUEI.(Foram 90' preso de olho na tela) e nem senti passar.


Quando Zappa foi ovacionado em Praga,Situação nunca acontecida nos EUA , ele se encontrou com então, Presidente Václav Havel,

No início de 1990, Zappa visitou a Tchecoslováquia a pedido do presidente Václav Havel, e foi convidado a servir como consultor para o governo em assuntos comerciais, culturais e turísticos. Havel era um fã de Zappa que tinha uma forte influência na cena de vanguarda e underground do leste europeu nos anos 1970 e 1980 . Zappa concordou entusiasmado e começou a se encontrar com autoridades corporativas interessadas em investir na Tchecoslováquia. Dentro de poucas semanas, entretanto, a administração dos EUA colocou pressão no governo tcheco para desfazer a nomeação. Havel fez então de Zappa um consultor cultural não oficial. Zappa também planejava desenvolver uma empresa de consultoria internacional para facilitar negócios entre o antigo bloco soviético e o bloco capitalista

(Fonte Wikipédia)


Ronald Reagan, então, Presidente dos EUA, perseguiu muito o trabalho do Zappa, ele sofreu uma severa censura e foi muito mais compreendido na Europa do que seu País de origem.


Frank Zappa faleceu em 4 de dezembro de 1993, em sua casa, cercado por sua esposa e filhos. Em uma cerimônia privada no dia seguinte, Zappa foi enterrado em um túmulo não marcado no Westwood Village Memorial Park Cemetery, em Westwood, Los Angeles. Na segunda-feira, 6 de dezembro, a sua família anunciou publicamente que o "Compositor Frank Zappa foi para a sua última turnê pouco antes das 18:00 no sábado"

(Fonte Wikipedia)

Adendo 2:

 O meu lado é puramente musical no sentido do todo desse universo Zappa, ouvi e tenho toda a sua discografia, baixados e alguns originais... Me prendo também sobre o lado filosófico, contexto histórico e a minha viagem no Conceito Zappa.

Adendo 3:
  
E o gran finale aconteceu ao término da jornada Zappatesca dentro do ROXY 1...Todo mundo bateu palmas para o pensamento e obra do mestre Zappa...me emocionei...



segunda-feira, 10 de outubro de 2016

MÚSICA BOA?? MÚSICA RUIM?? Um breve comentário...

Nunca gostei de música, gosto de som. Como sempre ouvi de tudo, consigo numa boa ir de John Cage até Ramones. Minha percepção há muito deixou de ser comparativa, creio que nunca foi devido a minha capacidade por anos e anos de audição e leitura plena com o som.

Creio que música ruim é o que temos hoje no âmbito mais subterrâneo, e de fato acabou a criatividade.
Finalizando: Música é aquela que toca nas rádios: fácil compreensão, duração ínfima e nada acontece em 3'43'' o tempo que supostamente o mercado acha em que o público aguenta ouvir.
SOM. é o que proporciona o pensar musical, o apuro do senso estético sonoro, o poder da escuta plena e o discernimento ao receber toda essa informação o que provocar o alimento do neurônio responsável por essa audição universal.
tenho dito, atesto e dou fé.
Mauro Wermelinger, um cara que gosta de som.



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

UMA SALADA DE TEXTOS SONOROS...


Hoje tenho Brian Blade como a expressão máxima da bateria livre e criativa e sem perder o pulso..

Ele vai além do quesito técnico...escuta tudo o que acontece e conversa com cada um dos músicos.

Dedicado ao camarada Felipe Cotta


Sem o quesito da comparação que nunca gostei, quem compara é que não entende de som ou não percebe que cada um tem sua história. 

Contudo, pude certa vez viajar com dois gênios numa tour.

Hermeto e Egberto e cada com o seu grupo,.
Ainda era um cara de 20 e poucos anos e toda noite o concerto de ambos soava algo celestial.
O som cerebral e etéreo do Gismonti com uma formação meio inusitada de violoncelo, contrabaixo acústico, teclado e violão, fazia um contraponto a panela de pressão sonora,longa e criativa do Hermeto Pascoal. Foi um momento único na minha vida, ali nos bastidores vendo e ouvindo dois gênios, dois criadores e cada um com a sua linguagem e de um respeitabilidade sem precedente.
"E salveossons" isso sim, também é" vidalinda".



A expansão do som em especial ao jazz, se deve aos criadores como Miles Davis e John Coltrane, certamente esse comentário não é tão completo devido ao grande número de protagonistas que fizeram sua parte...Contudo, são os pilares de um revolução única.

No Brasil, dou crédito para dois sujeitos geniais; Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal. Esses foram além.



Que maravilha!!, cinco conceito estético-sonoro do mestre Wayne Shorter(compartilhado no Facebook) e cada um contando uma história completamente diferente uma da outra.

Shorter, é o que chamo de expansor de melodia livre costurada por seus protagonistas num diálogo único, onde somente uma audição atenta é capaz de saborear tanto som.

Coisas que ele aprendeu quando fazia parte do quinteto acústico do mestre Miles que uma bela noite foi levado ao cinema por John Mclaughlin para ver o Festival de Monterey, o clássico.
E quando chegou a parte do Hendrix com aquele som todo eletrificado, pedais, distorção...
Ele disse ao John: É esse o som que estou afim de fazer...e criou o jazz-rock e o resto é simples história.
Mauro Wermelinger, que o tanto que fala é o tanto que escreve..
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domingo, 25 de setembro de 2016

Sobre o concerto de piano solo da Japinha Hiromi Uehara no Teatro Municipal

E foi se aproximando a hora do concerto da Japa Hiromi Uehara que supostamente viria com a minha formação favorita: Trio de baixo elétrico e bateria. A decepção se deu ao adentrar o Teatro e perceber somente um piano Yamaha de cauda inteira no meio do palco e fiquei chateado quase retornando aos concertos devidamente baixados do respectivo trio, oriundo do repositório do Youtube e como já estava lá dentro...fui em frente, a japinha entrou quente e segurou por 120' algo que geralmente não se sustenta, o tal do piano solo, tem que ter muita garra, técnica e musicalidade.
Dotada de uma técnica espetacular e numa independência absurda de mão esquerda(grave e harmonia) e da veloz e técnica direita(linha melódica), seu dedo mindinho da mão direita atinge cada intervalo surpreendente, seu estilo Stride piano é feroz, interindependente e fica claro que ela bebeu na fonte de Fats Waller e Fats Domino, fora sua incrível capacidade de fazer os baixos soarem como se tivesse um baixista tocando com ela numa técnica de boogie-woogie totalmente moderna e altamente inspiradora, seu experimentalismo é algo digno de um Cecil Taylor, empregou o piano preparado ecoando a linha de John Cage, e certamente seu "ostinato" vai além da esfera pianística muito raro de se ver e ouvir.
Enfim, a japinha Hiromi Uehara, uma descoberta pelo repositório do Youtube que caiu muito bem no meu conceito estético, sem a influência do seu lado oriental a não ser na capacidade de tocar empregando até o corpo todo e num estado de concentração e alegria que há muito não vejo. 
Seu som realmente pede um trio da pesada por sua intensa troca de diálogos e nesse caso, ele trocou altos papos consigo mesma com 88 notas,brancas, pretas, sustenidos e bemóis e dentro do piano. 
A japinha quebrou tudo., 
Dedicado ao amigo Thiago Cabral e Duda Neves

Em tempo: Ela abriu com o  tema acima e continuou quebrando tudo ao longo de duas horas.

sábado, 17 de setembro de 2016

CAUSOS ARISMAREANOS

1- Um causo em cima da onda do Arismar Do Espirito Santo:
Certa vez, em 78, ele foi participar de um gravação, chegou cedo, ajustou seu Fender Jazz Bass fretless e ficou esperando...A hora foi passando e o produtor tenso com o atraso dos músicos.
Em dado momento, o guitarrista liga dizendo que passou mal...mais adiante, roubaram toda a bateria do carro e cancelou a gravina...E o produtor Tenso...clima tenso...

Outro telefone, foi a vez do pianista que tinha quer ver sua mulher que ia dar a luz...O clima ficando insustentável...
O cara do violão justificou a falta por conta de não encontrar sua parte na música...
Arismar Do Espirito Santo quietinho da silva...
O produtor desesperado, olha para o Arismar Do Espirito Santo e diz:
Grandão...vamos gravar tudo...Overdubbing...Arismar Do Espirito Santobeleza,,,vamos nessa...E a gravação rolou naquele climão do paz e amor...
(Inventei agora)]



2- Um renomado maestro disse:
Arismar Do Espirito Santo vou escrever um arranjo para ti, pra qual instrumento devo fazê-lo???
Maestro. você escolhe...vai ter ponte para improvisar??


3- Outra....do Arismar Do Espirito Santo numa certa noite, ele estava procurando uma gig para trampar(gíria paulista).

O dono da casa disse: Temos vaga para violão, guitarra, baixo, bateria e piano.
O que você toca??? ele disse: Todos...kkkkkkkkkkkkkkkk


4- Outro causo, Arismar Do Espirito Santo
Ainda nos anos 70, ele tava na onda do power-trio guitarra, baixo e batera.
E a formação sempre mudava...
Saia o guitarrista, o baixista, o baterista...Menos ele...sempre ocupava a vaga deixada pelos músicos.

(Quando inventar outro, publico)



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O MÚSICO, TADINHO O INCOMPREENDIDO...


Com rara exceção...Eis algo que percebo entre os músicos e não é de hoje.


O que me deixa pasmo são os amigos ou conhecidos que só ligam para falar deles..Nem pergunta como você está...Eu, hein, é por isso, que ando me afastando...MÚSICO ENTÃO,...é um egocentrismo...E o mais interessante com boa parte do público tem percebido isso...
Foi-se o tempo que corria atrás deles, os tais amigos...Hoje, vivo no melhor estilo De ficar na minha. Recado dado...vai direto no alvo.
E por isso e por outras que cada vez menos frequentando concerto de música instrumental brasileira...É um excesso de individualismo que chega a dar pena...Outro recado dado...
Agora a tática é essa, te fazem o convite pelo Facebook e quando chega na porta tem que pagar ingresso,,,TÔ FORA..
Afinal de contas, não estou reclamando em pagar o ingresso.

E, sim, da forma dissimulada de escrever TEM QUE PAGAR INGRESSO. Na realidade ando é mesmo sem estimulo sonoro para a seara instrumental brasileira, bom pra quem executa e nem tanto para quem vai realmente ouvir aquele som executado pelo músico, e no final o som produzido nem fica na memória, perde-se durante o concerto, e com um detalhe, não é somente eu que percebo isso, o som tem acontecido no circuito off da cena instrumental da Praça Tiradentes ou no Armazém do Jazz em Realengo. Lugares como o "Semente" e o "Tribo OZ, apesar do alto nível...ainda fica muito aquém do que possa ser produzido. Fato que temos muito músico e pouco som ou velha máxima- Muita pose para pouco play.
 E som por som...sou mais o que rola aqui na Toca da Lapa. O que é produzido por boa parte da seara da Música instrumental brasileira ainda soa muito abaixo da linha do gráfico da produção sonora do que tenho aqui.


"Tenho uma teoria à respeito do desaparecimento da música instrumental ao longo dos anos. 

Quando eu era jovem, tipo mais de trinta anos atrás, haviam programas de música instrumental nas rádios. Nas festas, sempre curtíamos aqueles vinis com músicas de mais que dez minutos, viajávamos  naqueles sons.

Isso acabou. Hoje as pessoas fogem da música instrumental, acham "chata". Ao longo dos anos, conversando com muita gente, concluí que elas não gostam de pensar, refletir, e a música instrumental é perfeita pra isso. Elas querem uma letra pra cantar junto, uma ideia pra se agarrar. Desenvolver a imaginação, nem pensar. 
E esses músicos "cheios de si" só contribuem pra isso."
(Édi Lyra)




terça-feira, 9 de agosto de 2016

NO MEU TEMPO...

    No meu tempo...se escolhia cada disco para uma degustação sonora...não se perdia nada...nadica...eu ia anotando tudo na mente...
    E depois preenchia caderno e mais caderno da ficha técnica dos discos.
    Criei um sistema bacana de classificação e indexação para os grupos e músicos...Numa última contagem naquela época...listei mais de 5 mil músicos e dos bons...10 mil discos...Tinha até o set de equipamento utilizado...isso, entre os 11 e 12 anos...e tomei gosto...e nunca mais parei...

    No meu tempo se dizia, bicho, vamos ouvir um som?? a concentração era total, audição plena do mínimo detalhe do som apresentado...
    Hoje...aêee...vamos ouvir música?? mexe no celular, posta no facebook, rumina alguma coisa... Não absorve porra nenhuma, fora a deficiência de boa parte da produção musical..